quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

em casa.

a chuva em casa não pára,
são pedro mandou uma nuvem pra cá.
ela só chora, chora, chora.
não vê o futuro que tarda
e que não chega
pra quem quer descansar.

o sol em casa só falha,
o céu fechado não deixa ele entrar.
só faz sombra por cima de sombra,
mas, quando aparece
ninguém entende
que ele só quer clarear.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

brêu.

vem pra minha imensidão,
esquece essa luz de uma vez.
sente o meu ombro almofadado
com deleite e com amparo
vem curtir o apagão.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

bem longe;

aurora outrora me disse
que não tinha santo que curasse
um coração amargo no âmago
de um ser apaixonado de fato.

aurora pediu que sumisse,
que só assim poderia à vontade
ser feliz mesmo distante
mas completo de saudade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

meu chão

flutuo n'um céu de canivetes
abro meus braços para sair
e não consigo. me talho por liberdade
e não consigo. me mato para ir,
sem ter que voltar nesse inferno.
nesse instante quero meu progresso,
minha liberdade.

olhem mães, olhem pais!
estou, enfim, livre!
mas não se privem
da minha ausência,
não me esperem mais.
estou bem longe daquele céu
e mais perto do meu cais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

adolfo.

eu gosto de música.
hoje penteei meu cabelo como o do rei do rock, aquele que dizem que não morreu.
para mim, ele está bem morto. não que a música dele passe a ser ruim por isso. eu gosto muito, juro. minhas olheiras não enganam.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

meio verão.


por que uma andorinha sozinha
não pode ser feliz
se ela tem um coração
e a vida que sempre quis?


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

não-me-toques.

uma folha aberta,
o dedo toca
e se fecha
com o orvalho.

o coração arde,
os braços abrem
e assim cabe
um vazio solitário.