sábado, 23 de janeiro de 2010

ojos cerrados.

dormir na solidão, chegar perto do escuro e tocá-lo sem sentir que o amanhã é tão escuro quanto a solidão dormente.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

breve.

por todas as madrugadas em alta velocidade, pelos desertos urbanos e os amigos ali, bêbados, cantando, quando me vir em cantos obscuros, sentirei saudade. a minha felicidade quando passo pelas largas avenidas iluminadas, pela imensidão da noite sem saber onde vou parar ou nos vários bares das entrequadras, não vai ser igual em lugar nenhum. me despeço, sem nunca esquecer dessa brasília que enche meu coração de alegria sempre.
até o raiar do dia.
estação 102 sul um dia desses, foto por luã.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

déjà vu.

a rua vazia embalava aqueles laços afetuosos e tão imensos que quase não cabiam em seus braços. depois de tanto tempo já não tinha como comparar mais. havia esquecido como era o beijo, o carinho, o encontro e mesmo que tudo se repetisse da mesma forma que o fora, jamais seria igual. deixou-se levar pelo som flutuante do silêncio, cortado pelo sino de metal do vizinho que entoava com o vento e estava lá propositalmente pois nunca o tinha ouvido antes. nem uma palavra, só um sentimento e uma música aqueciam seu coração e perseguiam suas têmporas n'um ritmo confuso e ao mesmo tempo pacífico que acalmava seu espírito e deixava uma segurança passageira naquele corpo que se perdia no significado da paixão.
depois de um adeus, nunca mais o vira e preferia que tudo permanecesse naquela rua vazia, cheia de paz, cheia de alegria.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

em casa.

a chuva em casa não pára,
são pedro mandou uma nuvem pra cá.
ela só chora, chora, chora.
não vê o futuro que tarda
e que não chega
pra quem quer descansar.

o sol em casa só falha,
o céu fechado não deixa ele entrar.
só faz sombra por cima de sombra,
mas, quando aparece
ninguém entende
que ele só quer clarear.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

brêu.

vem pra minha imensidão,
esquece essa luz de uma vez.
sente o meu ombro almofadado
com deleite e com amparo
vem curtir o apagão.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

bem longe;

aurora outrora me disse
que não tinha santo que curasse
um coração amargo no âmago
de um ser apaixonado de fato.

aurora pediu que sumisse,
que só assim poderia à vontade
ser feliz mesmo distante
mas completo de saudade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

meu chão

flutuo n'um céu de canivetes
abro meus braços para sair
e não consigo. me talho por liberdade
e não consigo. me mato para ir,
sem ter que voltar nesse inferno.
nesse instante quero meu progresso,
minha liberdade.

olhem mães, olhem pais!
estou, enfim, livre!
mas não se privem
da minha ausência,
não me esperem mais.
estou bem longe daquele céu
e mais perto do meu cais.